Como é a Ceia de Natal Lusitana?

Como é a Ceia de Natal Lusitana?

A gente já falou um pouco sobre as tradições de Halloween na Europa, mas que tal falar da época mais linda do ano? Afinal, todo mundo tem aquela curiosidade básica sobre como seria passar o Natal em outro país. Porque, por mais que as nações tenham semelhanças na cultura natalina (especialmente quando falamos de países do Ocidente), sempre tem aquele lugar que se diferencia um pouco – ou muito. Com Portugal não seria diferente: nossos amigos da Língua Portuguesa fazem uma ceia tipicamente lusitana, com receitas comuns a nós, brasileiros, e pratos que não tem absolutamente nada a ver. E sim, você está certo: português que é português gosta de colocar bacalhau em tudo no meio da mesa. Afinal de contas, tem algum prato principal que seja mais da terrinha do que o bacalhau? Não, né!

 

Antes de começar com nossa listinha de gordices guloseimas, no entanto, precisamos atentá-lo para uma coisa: Portugal, embora seja infinitamente menor que o Brasil, tem tradições distintas para cada região. Sua ceia será completamente diferente se você for mais ao sul ou mais ao norte, é uma loucura quase tão apetitosa linda quanto as praias do Algarve. Mais importante do que isso: as sobremesas também variam. Pode ser que você se depare com aquela rabanada clássica (que adoramos!) ou encontre um doce que nunca viu na vida. Em algumas regiões, pode ser até que você encontre os dois – o que nós achamos até mais legal. Mas antes que você fique com água na boca, vamos entender de quais pratos principais estamos falando – e o quão diferentes entre si eles são.

 

1 – Peru assado esperto

 

Ceia de Natal em Portugal

Comida boa é aquela que a gente já sabe que ama.

 

Para você que gosta de começar pelo que lhe é familiar, fique atento: a ceia de Natal portuguesa também conta com o famoso e clássico peru assado. Bastante frequente nas ceias brasileiras, a tradição nasceu nas Américas, tendo sido exportada para outros lugares posteriormente. Na Europa, os espanhóis foram os primeiros a adotar o hábito: possivelmente por isso Portugal tenha acabado compartilhando o costume, afinal os “vizinhos” compõem a região ibérica.

 

Mas não se engane: até para o tradicional há algo que desvia do padrão. Nesse caso é o recheio: os portugueses costumam diversificar o peru de diferentes formas. Há aqueles que usam carnes, temperos e até pão – afinal são portugueses, não é mesmo? Além desse ingredientes, há famílias que usam também enchidos alentejanos, típicos da região do Alentejo, que é justamente onde o peru na ceia de Natal predomina.

2 – Bacalhau com todos

 

Bacalhau com todos na ceia de Natal portuguesa.

Bacalhau com todos na ceia de Natal portuguesa.

 

Opção mais óbvia aos que se encaixam nos esteriótipos portugueses, o bacalhau da ceia é diferentão: preparado com amor, geralmente á apresentado cozido, juntamente com seus acompanhantes mais comuns: o ovo, a cenoura, a couve e a batata. Se adicionássemos maionese, quase viraria um prato brasileiro, não é mesmo? Mas nossos amigos lusitanos substituem a maionese por azeite. E não estamos falando de pouco azeite.

 

O bacalhau, diferentemente do peru, tem suas origens vinculadas à Igreja Católica. Como tradição, os católicos não costumam comer carne vermelha em datas religiosas. Sabemos disso por causa da Páscoa, mas para o Natal a premissa é a mesma. Curioso, não?

3 – Galinha para todos os gostos

 

Galinha ceia de Natal Portugal

Hora de dizer olá para a galinha portuguesa no Natal.

 

Na região dos Açores, quem chega primeiro é a galinha: e ela pode vir cozida na canja (clássico, não?), guisada ou até recheada, igualzinho a um peru. E para não ir contra a tradição do próprio peru, esse recheio também pode conter pão (português gosta tanto de pão que chega a colocar pão até no meio do prato principal, observem). Mas se você achar que pão é muito aleatório, também não há problema: tem família que prefere usar fígado (pois é), outras azeitonas (que às vezes são colocadas entre a pele e a carne), e as mais comuns (para nós) são as que recheiam a galinha com ovos e especiarias.

 

E se você achava que não passava daí, lá vem a informação mais diferente: a galinha pode ser servida fria, servida em fatias. Confessamos: é mais raro, mas tem gente que prefere – vai entender. Quase tão louco quanto as expressões portuguesas. Português que é português acaba sendo excêntrico.

 

4 – Cabrito assado ao forno

 

Portugal cabrito ao forno

A ceia de Natal em Portugal não podia ser mais recheada.

 

Esse possivelmente é o prato principal mais diferente dos demais. Comum pela região das Beiras e em Estremadura, o cabrito tem suas origens em um passado bem distante: antigamente, as pessoas costumavam assá-lo em forno à lenha.  Hoje em dia poucas famílias utilizam a técnica – a maior parte usa um forno comum mesmo, o que, é unânime, acaba por limitar o sabor do prato.

 

Nada que não dê para contornar, no entanto. Muitos tentam recriar aquele sabor tão conhecido com temperos refrescantes, alguns feitos a partir de alho, vinho, azeite, alecrim, louro ou rosmaninho, ingrediente que tem a função de marinar o cabrito antes do nosso prato principal ir ao forno.

 

Faixa bônus – doces

E quem estava se perguntando a respeito das sobremesas, não se preocupe: as rabanas estão presentes em quase todas as casas da terrinha. Portugueses nos ensinaram sobre os prazeres do pão, afinal: não ter rabanada seria não ter Natal. Imagina que loucura! É claro, portanto, que o doce mais comum nas comemorações natalinas brasileiras foram herdadas da galera lusitana.

 

Rabanada em Portugal

Rabana em Portugal não podia faltar, não é mesmo?

 

E você? Ficou com água na boa com essas delícias? Nós também! Melhor do que isso só procurando um pouco mais sobre as iguarias portuguesas mais famosas para aproveitar cada uma das guloseimas na hora de viajar. A gente até fez uma postagem especial sobre os acordos de Portugal e Brasil para facilitar a sua vida. Corre lá. 

 

 

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Igraínne Marques é formada em Literatura pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e escreve desde que se lembra. Autora do romance "Joana e Maurício", lançado pela Editora Buriti em 2014, costuma dizer que o mundo é uma aventura. Atualmente trabalha como revisora, colunista, redatora e escritora, tendo se dedicado especialmente à fantasia. Começou também outra faculdade: dessa vez, Comunicação - embora possa ser encontrada com mais frequência em qualquer supermercado comprando Nutella.